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Luiz Carlos Winck: o lateral que fez história no Beira-Rio

Texto por Carlos Ramos
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Considerado um lateral revolucionário, por já na década de 1980 ter características de ala, Luiz Carlos Winck teve o futebol como a saída para superar dramas da perda de um pai ainda quando criança. No esporte, conseguiu manter a cabeça erguida para enfrentar a vida de cara. Luiz Carlos chegou na base do Internacional ainda muito jovem, com 13 anos, e viu o clube como a realização de um sonho de menino. 

"Fui fazer um teste no Internacional na época do Abílio dos Reis, uma das pessoas que mais revelava jogadores na base. Fiz o teste, passei e, na outra semana, já estava fazendo uma preliminar no Beira-Rio. Foi uma oportunidade muito boa. Era um sonho que tinha desde pequeno. Na época, foi uma emoção muito grande", recordou, em entrevista para oGol.

No Beira-Rio, Luiz Carlos chegou a jogar com seu irmão, Sérgio, durante algum tempo. Sérgio logo deixou o Colorado, mas Luiz Carlos seguiu no clube e se firmou. Os anos de colorado sempre foram, para o lateral, "a realização de um sonho". O agora ex-jogador se tornou um dos atletas com maior número de jogos pelo clube. 

"O Internacional sempre foi, para mim, muito importante. Foi realizar um sonho de criança ter sido um lateral reconhecido mundialmente jogando pelo Inter. Ter conquistado prêmios como melhor lateral pelo país, duas vezes pelo Internacional. Sou muito grato ao Inter. Minha vida pessoal e profissional devo muito ao Inter".

Winck ficou no Inter de 1981 até 1988. O ex-lateral quase foi parar, então, no futebol alemão, mas uma fratura na perna o acabou tirando do Hamburgo. O lateral deu sequência a carreira em São Januário, vestindo a camisa do Vasco. Logo de cara, foi campeão Brasileiro, em 1989, com assistência para o gol do título, de Sorato, contra o São Paulo, no Morumbi, Winck esteve na Colina também em 1990 e 1992. 

Ídolo do Inter parou no Olímpico

Winck causou polêmica quando foi para o Grêmio em 1993. O ídolo colorado confessa que, apesar de ter sido bem recebido no Olímpico, a troca de colorado para tricolor não foi fácil no Sul.

"Foi um momento difícil. Meu procurador na época, Nelinho, acabou acertando com o Grêmio. Na hora de me apresentar, não foi fácil, porque eu tinha uma identificação muito grande no Inter. Mas fui muito bem recebido por toda a direção e torcida do Grêmio. Isso vale muito para aquilo que a gente faz como profissional e homem: ter uma carreira digna abre portas em todos os lugares, independente da rivalidade. Acabei ganhando o Gaúcho e fui vice da Copa do Brasil. Depois, rompi contrato para ir ao Corinthians", recorda.

O torcedor do Inter até entendeu a situação, tanto que Winck retornou para o Beira-Rio anos depois. Além da dupla Gre-Nal e do Vasco, Winck jogou também em Corinthians, Atlético Mineiro, Botafogo e Flamengo, antes de encerrar a carreira no Glória. Em termos de clubes, a única frustração da carreira foi não ter atuado na Europa. 

"Tive uma venda concretizada (para o Hamburgo), mas, em função da fratura, acabou se negando a ida. Depois, tive outra oportunidade, para o Sporting, de Lisboa, e acabei não indo. Acabei até me cobrando um pouco. Mas você vestir as maiores camisas do futebol brasileiro, ter o respeito de todos, foi muito importante", comentou o ex-jogador, que ficou perto também de defender o Sporting, de Portugal.

"Tinha pré-contrato com o Sporting. Estava com o Vasco na época. A gente foi jogar com o Barcelona um torneio na Espanha em 1992. Eu dei aquele drible de corpo que o Pelé fez, no Zubizarreta, e fiz o gol. E assinei o pré-contrato, mas acabei não indo, porque o Eurico (Miranda, dirigente vascaíno), na época, melhorou as questões da luva e salário".

Frustrações na seleção

A grande frustração mesmo da carreira de Winck foi não ter disputado uma Copa do Mundo. Uma lesão em 1989 o impediu de se firmar no time para o Mundial de 1990. "Fez-me falta não ter jogado uma Copa. Seria a realização plena do que eu buscava no futebol, o pico máximo em todos os sentidos. Vestir a camisa da seleção já foi o máximo, mas participar da Copa, que é o maior evento, seria importante demais". 

Winck fez 17 jogos e um gol com a camisa da seleção brasileira. O ex-lateral disputou duas Olimpíadas, e acabou com a medalha de prata em ambas. O ouro bateu na trave, principalmente em 1988.

"O vice de 1988 eu sinto muito. Porque a gente tinha a base da seleção principal. Tínhamos ali quase uma certeza, depois de ganhar da Alemanha na semifinal, que teríamos o ouro contra a União Soviética. Acabou não acontecendo". 

A carreira de Winck, como o próprio já revelou para oGol, teve sequência com seu sobrinho, Cláudio, que também começou a carreira no Internacional. Depois de pendurar as chuteiras, Luiz Carlos iniciou carreira como treinador no Sul. 

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