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        Santo André e o 'Maracanazo' clubístico

        As surpresas da Copa do Brasil: O forasteiro Ramalhão que calou o Maracanã

        2020/08/25 18:00
        Texto por Ryann Gomes
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        Em 2004, a Copa do Brasil abriu espaço para uma das equipes mais surpreendentes da história da competição. O forasteiro e imponente Santo André. Com uma campanha cheia de percalços, o Ramalhão se reinventou para chegar ao auge: levantar a taça num Maracanã com mais de 70 mil rubro-negros. Há quem diga que o clube do ABC Paulista foi protagonista de uma versão clubística do Maracanazo.

        Em um bate-papo exclusivo com a reportagem de oGol, o capitão e líder daquela memorável equipe, o lateral-direito Dedimar, revela que ainda não encontrou palavras para descrever aquele ano.

        “Foi um ano mágico para o clube. Um ano onde o clube viveu feitos históricos e conquistas também. Tudo isso com a força do grupo, que superou muitas adversidades. Até hoje é difícil explicar e mensurar como aconteceu, mas a campanha e os resultados falam por si só”, declarou.

        A marca da superação

        Com a equipe formada para a disputa da Série B do Campeonato Brasileiro, o time andreense estreou na Copa do Brasil quando ainda disputava o Paulistão. O time, em formação, com remendos e improvisações, começou a ganhar força. Logo na estreia, o Ramalhão aplicou 5 a 0 sobre o Novo Horizonte, em Goiânia.

        “A gente não tinha noção do que esperava a gente, da grandeza da Copa do Brasil. Logo no primeiro jogo, com o time cheio de desfalques, aconteceu algo curioso. Eu acabei sendo improvisado como zagueiro, e a partir daí se deu a formação original do time na competição, com três zagueiros. Foi a primeira vez que joguei nessa posição e por lá fiquei e me firmei até a final”, lembra Dedimar.

        Logo na segunda fase, o Ramalhão encontrou pela frente seu primeiro grande desafio: o Atlético Mineiro. Mesmo sem viver um grande momento à época, o Galo contava com o peso da camisa e a força do Mineirão. No entanto, logo no jogo de ida, o imponente time do ABC Paulista mostrou que não estava na Copa do Brasil a passeio, e aplicou 3 a 0.

        Apesar do excelente resultado, a equipe andreense conviveu com momentos de apreensão por conta da saída de peças importantes do elenco. Jogadores como Fumagalli, Cléber Gaúcho, Vander e Edmílson deixaram o clube para tentar a sorte em outro lugar, além do técnico Luiz Carlos Ferreira, que deixou o Ramalhão para assumir o Sport. 

        E, mesmo com todas essas dificuldades, o ‘forasteiro’ do interior paulista mostrou sua força para suportar a pressão no jogo da volta. A derrota por 2 a 0 para os atleticanos significou uma verdadeira ‘prova de fogo’ para o elenco.

        “A gente viveu esses momentos de saída, de exílio de alguns jogadores... tivemos algum temor do que poderia acontecer, mas conseguimos controlar. Era um time experiente e muito dedicado. A gente suportou uma pressão muito grande lá no Mineirão, e conseguimos segurar... A verdade é que essa foi a primeira prova de fogo, de fato. Eu acho que essa passagem de fase contra o Atlético Mineiro, especialmente, nos gerou uma confiança muito maior nos próximos adversários que viriam”, afirma.

        O milagre do Palestra

        Após a primeira ‘prova de fogo’, Dedimar, agora zagueiro, conta que os duelos contra o Guarani foram um divisor de águas, onde a equipe passou por uma reformulação e contou com as chegadas de Barbieri, Sandro Gaúcho, que acabaram sendo fundamentais na campanha, e o técnico Péricles Chamusca, que assumiu o lugar do técnico Ferreira. Após empatar em 1 a 1, em Campinas, o Santo André colocou o regulamento embaixo do braço e avançou às quartas de final com um 0 a 0 no jogo de volta.

        Ainda mais perto da final, o time do ABC Paulista se deparou com mais um grande desafio pela frente: o motivado Palmeiras, que havia acabado de retornar à elite do futebol brasileiro e buscava um título de expressão para marcar seu processo de ‘recuperação’. Após dois jogos para lá de eletrizantes, e um empate em 4 a 4, no mínimo milagroso, no Palestra Itália, o Ramalhão deu mais um passo importantíssimo para a conquista. 

        "Todos acreditavam que a gente pararia no Palmeiras. Por tudo, né? Elenco, camisa, a torcida, uma série de coisas... Mas nós fizemos o nosso jogo. Nossa principal arma era a bola parada. Os principais cobradores eram eu e Élvis e contamos com um grande aproveitamento de Sandro Gaúcho. No jogo da volta, perdendo por 4 a 2, faltando dez minutos para acabar... nós já estávamos eliminados, mas têm dias que as coisas conspiram ao nosso favor”, relembra.

        Classificado e cheio de moral, o Santo André encarou, nas semifinais, o também surpreendente do XV de Novembro, comandado pelo até então desconhecido Mano Menezes. No jogo da ida, os paulistas provaram do próprio veneno: a bola parada. Mesmo com a derrota por 4 a 3, o time andreense, imponente e eficaz, foi buscar, mais uma vez, um resultado que parecia impossível... um 3 a 1 em Porto Alegre que não deixou dúvidas: o Santo André iria até o fim pelo título. 

        "Estávamos num momento reativo muito forte. Essa era a principal característica do Santo André: reagir em meio aos momentos de dificuldade e resultados negativos. Aquele jogo mostrou que o título estava para gente. Nós fomos bombardeados no sul, mas a bola não entrou e conseguimos tirar o saldo. Não tenho dúvida que esse jogo contra o XV nos preparou para final”, complementa.

        Com Ivete Sangalo de ‘motivação’, Ramalhão cala 70 mil no Maracanã

        Para a disputa da final, o Santo André tinha pela frente mais um grande titã: o Flamengo. No jogo de ida, em São Paulo, o estádio escolhido foi o Palestra Itália, local do milagre operado pelo time andreense na classificação contra o Palmeiras. O jogo foi muito disputado, a equipe da casa não se intimidou e atuou de igual para igual. O resultado foi um empate em 2 a 2, totalmente favorável ao Rubro-Negro, principalmente pelos dois gols fora de casa. 

        No Maracanã, o clima era de ‘já ganhou’ por parte do rubro-negro e da imprensa esportiva. Os flamenguistas lotaram o Maraca no dia 30 de junho de 2004, aniversário de dois anos da conquista do penta pela seleção brasileira na Copa de 2002. O Santo André entraria apenas como um convidado especial nas comemorações. Faltou combinar com o Ramalhão... 

        “Na nossa chegada ao estádio, no reconhecimento do gramado, a gente viu um palco armado ao lado, um palco de show. A gente pensava que era para premiação, mas não era. Os repórteres de campo disseram que a Ivete Sangalo iria se apresentar após o título do Flamengo e cantar a música que foi denominada como hino deles naquele período... isso nos deu um combustível tremendo, que duplicou a nossa força e o desejo de ser campeão. O grupo todo tomou isso para si”, revela.

        Estádio lotado, multidões nas ruas, frio na barriga, soberba da imprensa em geral... Mesmo após passar por tudo isso, Dedimar garante que o grupo se manteve focado. Segundo o capitão da equipe, a estratégia traçada antes de a bola rolar no Maracanã foi cumprida à risca e a história foi escrita: com gols de Sandro Gaúcho e Élvis, o Santo André aplicou um sonoro 2 a 0 no favorito e provou ser muito mais que um azarão, para desespero de mais de 70 mil flamenguistas presentes no Maracanã.

        “Nós traçamos uma estratégia no vestiário de não tomarmos gol no primeiro tempo, para no segundo sair e definir. E assim foi. Cumprimos o combinado e conseguimos ganhar um grande gigante e mostrar a todos o nosso valor... conquistar esse título no Maracanã, levantando a taça e sendo capitão, não tem preço. Repercutiu muito, até hoje repercute. É imensurável, indescritível. Só com palavras não consigo explicar o que foi aquele dia”, finaliza. 

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