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        O raio caiu uma, duas, três vezes no mesmo lugar...

        As surpresas da Copa do Brasil: O Paulista derruba-gigantes

        2020/08/26 12:35
        Texto por Paulo Mangerotti
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        Azarão, zebra, surpresa... Você pode escolher o adjetivo que quiser para falar sobre o Paulista campeão da Copa do Brasil de 2005, mas terá de reconhecer, afinal, que nenhum deles é tão fiel à realidade assim. Do início ao final da campanha o time provou seu valor diante dos supostos favoritos: derrotou campeões, clubes entre os mais tradicionais do Brasil, e revelou uma geração que viria a ganhar espaço nos principais palcos do futebol nacional e internacional.

        "Se qualquer um daqueles atletas disser que pensava que iria explodir aquele ano, estaria mentindo. Nossa intenção e nosso pensamento era se firmar no Paulista, fazer história ali. Lógico que depois daquela Copa do Brasil maravilhosa que todo mundo fez era normal aparecer propostas, mas eu jamais imaginaria que iria ser naquele ano", declarou em entrevista ao oGol Márcio Mossoró, um dos destaques daquela campanha do Paulista.

        Em 2005, o Paulista vivia um momento em que vários jogadores oriundos das categorias de base do clube ganhavam espaço, era um elenco jovem. O time-base do clube contava com oito jogadores que tinham até 24 anos na época: Rafael Bracali (goleiro), Lucas (lateral direito), Fabio Gomes, Márcio Mossoró, Cristian, Amaral e Juliano (meias) e Léo Aro (atacante). Titular, acima dos 30 anos, só mesmo o experiente zagueiro Anderson Batatais e, no banco de reservas, o atacante Finazzi. Além disso, no banco de reservas, estavam nomes como Victor e Réver, ambos atualmente no Atlético Mineiro, e que chegaram até a seleção brasileira.

        "Nós tínhamos um time que, por nome, talvez você diga que não tinha nenhum conhecido. Não era um grupo de jogadores renomados, mas a gente tinha qualidade. E uma coisa que eu aprendi no futebol, com o passar dos anos, é que às vezes só a qualidade não basta: você tem que ter um time, um grupo onde você vai agregar sua qualidade com a do outro. E a chegada do (Vágner) Mancini foi fundamental, não que o Zetti não iria conseguir, mas ele tinha uma forma de trabalhar e não conhecia a casa tão bem como o Mancini", explicou Mossoró.

        O "conhecimento da casa" referido por Mossoró acontece pelo fato de que Mancini havia sido jogador do Paulista até dois anos antes da conquista. Mancini, que era um meia ofensivo, aposentou-se aos 37 anos, em 2004, e logo depois iniciou o trabalho como treinador, recebendo a primeira oportunidade de trabalho na nova função justamente em seu ex-clube.

        "O Mancini, do jeito dele, conhecendo os jogadores que já tinham passado pelo clube, que tinham jogado com ele, conseguiu formar uma equipe verdadeira, uma família. Se você pegar o elenco do Cruzeiro, do Internacional e do Fluminense daquele ano, a gente não tinha chance nenhuma. O fator principal é a conjunção da qualidade com a vontade", afirmou Mossoró.

        Derruba-gigantes

        A campanha do Paulista em 2005 começou, de cara, mais complicada do que teoricamente deveria ser. O adversário da primeira fase do torneio seria o Glória, do Rio Grande do Sul, que naquela época disputava a Série C do Campeonato Brasileiro. O clube, entretanto, desistiu de participar da competição.

        "Aí entrou o Juventude, que já tinha sido campeão da Copa do Brasil. A gente entra sem compromisso, com responsabilidade, mas sem obrigação de vencer e a gente faz um gol no último minuto, de pênalti, com o Davi no primeiro jogo. No segundo jogo, no primeiro minuto a gente já faz 1 a 0, aí fomos criando expectativa com o passar dos jogos", relembrou Mossoró.

        Depois do Juventude, viriam outros adversários de peso. Primeiro o Botafogo, superado depois de dois empates, e então o poderoso Internacional, vice-campeão Brasileiro de 2005 e campeão da Copa Libertadores do ano seguinte - conquista essa que Mossoró fez parte, afinal trocou o Paulista pelo Colorado após o título da Copa do Brasil.

        Aos 37 anos, Mossoró joga hoje na Turquia ©Getty / Anadolu Agency
        "Para mim o jogo contra o Inter foi a chave da virada para que a gente acreditar que poderíamos ser campeões. O Inter tinha o melhor elenco do Brasileirão, tanto é que depois eu fui agregar naquele plantel, logo depois da Copa do Brasil minha decisão foi por esse projeto. A gente conseguiu suportar toda pressão no Beira-Rio, foi determinante o primeiro jogo ter sido lá", afirmou o meia, ressaltando o papel fundamental de Juliano, que se recuperava de lesão e conseguiu entrar em campo na  etapa final do confronto de volta para garantir o gol que levou a disputa da vaga nas quartas de final para os pênaltis.

        Veio o Figueirense, e aí poderia-se esperar uma classificação mais tranquila contra o clube catarinense. Não aconteceu. O Figueira vinha embalado, pois se o Paulista havia eliminado o time que viria a ser o vice-campeão Brasileiro, o Furacão do Estreito eliminou mesmo o campeão, o estrelado Corinthians da MSI, liderado em campo por Carlitos Tevez. Mais uma vez, a decisão para a vaga para a próxima fase foi nos pênaltis.

        "Até hoje meu filho pergunta: papai, você não teve medo de perder o pênalti? Eu não me lembro naquela altura se a gente estava com medo. Eu acho que a gente estava tão confiante, depois da vitória sobre o Inter, que aquele jogo contra o Figueirense nos pênaltis nós tínhamos certeza que iríamos passar. O Rafael tinha treinado bastante também e tínhamos passado pelo Internacional. Acho que isso fez ficássemos muito mais tranquilos", comentou.

        Tantas vitórias improváveis começaram a gerar uma responsabilidade impensável para o Paulista naquela Copa do Brasil. O azarão começou a ser visto como favorito pela imprensa, e, segundo Mossoró, controlar a pressão externa foi um fator muito importante. O clube encontrou o Cruzeiro na semifinal, fez um placar confortável no confronto de ida, com uma vitória por 3 a 1 em Jundiaí. Na volta, o clube quase viu o sonho escapar depois de o Cruzeiro abrir 3 a 0 na primeira etapa.

        "Eu lembro até hoje que tínhamos um prêmio para ganhar esse jogo e eu já tinha feito os cálculos. Com o prêmio eu ia dar entrada no meu primeiro carro. Eu lembro que eu falei: 'perdi meu carro, jesus, tão rápido assim!'. A gente vai para o intervalo, entramos no vestiário e no quadro está escrito o jogo do Liverpool contra o Milan, aquele jogo histórico em Istambul, onde o Liverpool consegue uma virada incrível, perdendo de 3 a 0 consegue um 3 a 3 e ganha nos pênaltis. E a gente nem precisava de tanto assim, precisava de um gol para voltar para a disputa e depois fazer mais um para conseguir a classificação. Aí foi isso: em quatro minutos o Cristian fez dois gols. Aí eu falei: 'opa, meu carrinho tá de volta'", relembrou aos risos.

        Aí, então, veio a final. O caminho do Fluminense não foi tão tortuoso quando quanto havia sido o do Paulista. O Tricolor Carioca passou por Campinense, Esportivo do Rio Grande do Sul, teve como grande adversário o Grêmio, mas que passou fácil, com um placar acumulado de 4 a 0 e derrotou o Ceará na semifinal

        "O elenco do Fluminense era muito mais maduro, tinha o Diego Souza, o Preto Casagrande e o Abel como treinador. Na véspera do jogo, o Fluminense faz aquele rachão e eles tiram uma foto como se já fossem campeões, como todo time faz. Mas aí a imprensa carimbou eles como se já fossem campeões da Copa do Brasil... Qualquer motivação extra para um atleta se transforma duas ou três vezes mais dentro de campo. Temos exemplos de equipes grandes que perderam para menores por motivação, pelo fato de acreditar mais que outras equipes. Acho que o Fluminense caiu na armadilha de pensar que poderia bater a gente a qualquer momento dentro de nossa casa no primeiro jogo. A gente foi feliz no primeiro jogo, fizemos 2 a 0 e sabíamos que seria muito difícil tomar 3 a 0 na casa deles", contou.

        Zebra sim, mas com muito mérito

        Assim como Criciúma, Juventude e Santo André, campeões da Copa do Brasil, o Paulista é lembrado por muitos como uma grande zebra da história da competição. Mossoró até reconhece que poderiam sim ser os azarões da história, só que isso não quer dizer que nada sobre o trabalho e a qualidade daquele elenco.

        "Lógico que entramos como uma zebra e fomos campeões como uma zebra, mas para a gente que trabalha e que conquista, sabemos que fomos superiores aos nossos adversários no confronto direto. Se passamos do Inter é porque fomos superiores ao Inter naquele jogo. Na Copa do Brasil fomos superiores a todas equipes que enfrentamos. É algo muito usado no futebol (zebra), mas quando conquista-se um título não é por acaso, mas com muito trabalho", finalizou.

        Brasil
        Márcio Mossoró
        NomeJosé Márcio da Costa
        Data de Nascimento1983-07-04(37 anos)
        Nacionalidade
        Brasil
        Brasil
        PosiçãoMeia (Meia Ofensivo)

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