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        Entrevista Ogol
        Maior campeão da Copa do Nordeste

        Preto Casagrande detalha carreira e lamenta pouco reconhecimento da dupla Ba-Vi

        2020/07/14 13:54
        Texto por Caio Fiusa
        E0

        Campeão brasileiro em 2004, maior campeão da Copa do Nordeste com cinco títulos, sendo quatro como jogador e um como auxiliar, Bola de Prata em 2001, vice-campeão da Copa do Brasil em 2005 e tricampeão estadual. Poucos atletas no futebol nacional possuem um currículo de tantas conquistas como Preto Casagrande.

        Em entrevista exclusiva ao oGol, o ex-jogador recordou a carreira profissional, com destaque para os títulos e passagens marcantes por Salvador (com um toque de mágoa pela falta de reconhecimento), a honra de ter vestido a mítica camisa 10 do Santos, e comentou sobre o futebol atual e os planos para o futuro. 

        oGol: Você foi campeão brasileiro em 2004 vestindo a 10 do Santos. O número foi uma escolha sua? Sentiu uma pressão maior por isso?

        Preto Casagrande: Quando o Luxemburgo definiu o esquema, os 11 titulares, com um losango no meio, o Elano já tinha uma história com a 11. O Ricardinho preferiu a 8. Eu fiquei na minha e sobrou a 10. O time foi ganhando e claro que isso mexe com a cabeça. É a camisa mais conhecida da história. Sem dúvida, uma hora começa a te empolgar. Isso me motivou ainda mais a ganhar o título. Eu fiquei na história! 

        Títulos e idolatria em Salvador

        Você é um caso raro de um jogador que é ídolo por duas torcidas arquirrivais. Como atleta, foram duas Copa do Nordeste e um Estadual tanto por Bahia quanto por Vitória, além de um título do regional pelo Tricolor de Aço como auxiliar, em 2017. Qual foi o seu diferencial para conquistar o carinho e respeito dos torcedores? Foram os títulos pelas duas equipes? 

        Os títulos ajudam, mas não é só isso. A postura dentro e fora de campo, como eu encarava as entrevistas, bate papo com os torcedores e o tratamento que dava a eles na rua é fundamental. Quando você chega em um rival, tem um peso, uma responsabilidade maior. Você precisa fazer um algo mais. E aí, entra o comportamento. O Tinga (da dupla Grenal) é um excelente exemplo, um cara que eu admiro muito, se impõe, fala abertamente o que pensa. Nós não gostávamos de perder, somos transparentes e falamos olho no olho com dirigente e torcedor. Não é porque você jogou no rival que o torcedor pode te pré-julgar. É a sua postura que te faz ganhar respeito.

        Sobre postura, o Bahia tem levantado muitas bandeiras, com as ações afirmativas, que repercutem nacionalmente. Qual a sua opinião sobre essas atitudes do clube? 

        Eu acho que a rede social e a globalização precisam ter o lado bom. O marketing do Bahia há algum tempo vem trabalhando muito bem, trazendo para o clube uma atenção da imprensa do Rio e São Paulo que antigamente não se via. O Bahia é uma referência, só que precisa traduzir isso em campo. Nos últimos anos, o clube foi eliminado pelo River-PI, na Copa do Brasil, pelo Liverpool, que não tem expressão, na Sul-Americana. Em 2019, caiu na fase de grupos da Copa do Nordeste. Isso traz um prejuízo financeiro absurdo ao clube. Muitas pessoas não tem notado isso. Eu falo o que eu penso, o Bahia está muito bem no marketing, mas os resultados em campo estão aquém.

        Sendo o maior ganhador da Copa do Nordeste com títulos em 1997 e 1999 pelo Vitória e em 2001, 2002 e 2017, pelo Bahia, este último como auxiliar técnico, você acredita que recebe o reconhecimento necessário dos clubes por esse feito?

        Eu costumo dizer que eu só não sou mais ídolo em Salvador, justamente porque joguei nos dois, o que é uma pena. Na Europa, você joga bem em dois times e é idolatrado por ambos. Infelizmente, no Brasil, tem essa cultura. Alguns torcedores não conseguem reconhecer. Por mais que reconheça, ele não te dá o devido valor. Você vai no CT do Bahia e não tem uma foto minha, tem de um monte de ex-jogador que não tem metade dos títulos que ganhei. Você vai no muro do Vitória e vê até foto de cantor de pagode e não tem minha. Mas quem sou eu para julgar? Só lamento, fico triste, mas o que importa é o reconhecimento de pessoas sensatas. Eu já me acostumei, são muitos anos assim. (Nota 1)

        E em relação à organização da Copa do Nordeste?

        O presidente da Copa do Nordeste é o Alexi Portela, ex-presidente do Vitória. Eu tive muitos problemas com ele. Ele me contratou e não me pagou algumas coisas que devia. Eu não fui para justiça, porque tinha alguns negócios envolvendo ele e até sócios meus e acabei sem receber. Um dia falei isso em uma rádio e ele ficou chateado. E só por isso eu nunca fui homenageado, nunca recebi uma placa, nem nada, por essa briga de vaidade. (2)

        Em 2001, pelo Bahia, você foi Bola de Prata do Brasileiro, junto com o goleiro Emerson. Desde então, nenhum jogador do clube esteve entre os melhores. Pela sua ligação com o time, o que você acha que justifica quase 20 anos sem um jogador do Tricolor de Aço entre os melhores do Brasil?

        © Felipe Oliveira / EC Bahia
         Significa que eles têm que valorizar muito esse feito. Poucos conseguiram e é o prêmio mais correto do futebol brasileiro, porque é baseado em uma média do campeonato, com nota a cada jogo. É muito difícil ganhar estando em um time que não possui um dos oito maiores orçamentos. Hoje, pode ser que com a melhora do clube, podendo contratar jogadores melhores, aconteça novamente em um médio prazo. Enquanto não acontecer, a valorização tem que ser maior.

        Em 2003, você foi rebaixado com o Bahia. No ano seguinte, venceu o Brasileiro com o Santos e foi finalista da Copa do Brasil em 2005, com o Fluminense, e em 2006, subiu de divisão, desta vez com o Vitória, sendo vice-campeão da Série C. Como você explica um período tão curto na carreira com emoções tão distintas? 

        Isso foram as tomadas de decisões. Cada ano eu tinha o contrato terminando e precisava decidir. Na época do Santos, fui campeão e ao final do ano tinha que definir: ou fico ou saio. A proposta do Fluminense era muito melhor. Tomei a decisão de sair. O grande erro da minha carreira foi quando o meu contrato com o Fluminense acabou, eu já tinha o título do Brasileiro, Carioca e vice da Copa do Brasil, e decidi ir para o Fortaleza. Se eu esperasse um pouco mais, tivesse um empresário para me ajudar, teria procurado uma situação melhor. Foi uma queda muito brusca. Mas serviu de lição.

        Em 2005, o Fluminense enfrentou o Paulista, na final da Copa do Brasil. Na ida, em Jundiaí, derrota por 2x0. Na volta, em São Januário, empate em 0x0. Aquela final pelo Fluminense contra o Paulista, é a partida que mais dói? 

        Sem dúvida foi a derrota que eu mais lembro com tristeza. Acho muito legal a maneira de disputa da Copa do Brasil e o título coroaria a minha carreira, mas entra na tomada de decisão. O Abel resolveu poupar no primeiro jogo da final, colocando um time mais jovem e nós fomos surpreendidos. Na volta, não tivemos força para reverter.

        Em 2000, você teve uma rápida passagem pelo Vitória de Guimarães, de Portugal. O que faltou para se firmar na Europa?

        O meu futebol não encaixava no Português, que era de muita força e velocidade. Talvez se eu jogasse no Porto ou Benfica que eram times que jogavam diferente, teria mais sorte. O Vitória de Guimarães brigava para ser a quarta força com o Braga e não era na técnica, era mais força, velocidade e vontade. O time não foi bem e os brasileiros que foram acabaram voltando. O grupo era dividido e quando o time não vai bem, dificilmente você consegue ter uma participação individual que chame atenção.

        Futebol atual

        Em outras entrevistas você comentou que gostava de provocar os adversários. Como você vê a provocação no futebol atual?

        Hoje está mais difícil. Acontecia muito de provocar, incomodar, tentar desestabilizar o adversário. Nós fazíamos escondido. Hoje não pode acontecer por causa das câmeras. Os jogadores estão mais politicamente corretos e as redes sociais atrapalham muito. Eles estão focados em outras coisas que não são ganhar jogos e campeonatos. Tem a questão da lei, que dá mais estabilidade ao atleta. Ele chega ao profissional mais autossuficiente, com contrato de quatro, cinco anos. Ele senta em cima do contrato e acha que não tem mais o que fazer. São mudanças que aconteceram no mundo e afetaram o comportamento do atleta.

        Tem algum clube, jogador ou técnico que você senta no sofá para assistir? 

        ©Arquivo Pessoal
         No ano passado, eu parei para ver o Flamengo, porque foi um ano atípico. Desde que eu entendo e acompanho futebol, nunca tinha visto um time tão a frente dos outros, jogando de uma forma tão vistosa no Brasil. O Jorge Jesus trouxe uma mentalidade diferente e os atletas compraram a ideia dele. Claro que junto a isso chegaram jogadores de alto nível e formaram um baita time. Eu assisto muito o Fluminense porque meu filho é torcedor ferrenho. Ele acompanha diariamente tudo o que acontece no clube. Ano passado eu parei para ver os Fla-Flus. O Flamengo vai ser o time que vai destoar por algum tempo dos outros.

        E no exterior?

        Eu gosto mais de futebol brasileiro do que qualquer outro, pelo incrível que pareça. Eu sou bairrista, patriota. Eu não troco assistir o campeonato brasileiro pelo inglês. Mas lá fora eu gosto dos times do Guardiola, parava para ver o ‘’tik-taka’’, do Mourinho, em determinado tempo, gosto muito do Zidane, acho um técnico exemplar. O Zidane consegue ter o mesmo sucesso como treinador, e dos jogadores que eu vi jogar, foi o maior da história, melhor que o Maradona. Eu não vou idolatrar jogador que fora de campo teve atitudes como o Maradona. 

        Pós aposentadoria

        Como foi o seu processo de aposentadoria? 

        O processo de aposentadoria para o atleta é muito chocante, é assustador. Comigo foi pior ainda, porque tive um rompimento de tendão, que é uma das piores lesões, que atrapalham muito a volta ao alto nível. Eu fiz dois anos de terapia. Foi um momento crítico da minha vida. Dois anos depois tentei retornar pelo Volta Redonda e acabei ficando só um mês lá. Eu sempre sonhava em voltar. Durante quatro, cinco anos, sofri com isso. Eu jogava ‘’pelada’’, me sentia voando, mas ia treinar profissionalmente, não tinha condição, me sentia praticamente um aleijado. Eu tenho atrofia na panturrilha até hoje, o que me impede de jogar saudável. Mas o mais importante é ocupar a mente, se sentir útil. Eu dissolvi a sociedade na empresa e aprendi a tocar os meus negócios na marra. Foquei nisso e graças a Deus, as coisas aconteceram.

        Você tem algum plano para trabalhar com futebol? 

        Nenhum. Hoje, a minha vida é para a minha família e os meus negócios. Não sei o dia de amanhã. Para quem viveu o futebol desde os seis anos, não dá para dizer ‘’nunca vou voltar’’. O que eu posso dizer é que não tenho nenhum pensamento atualmente. Talvez na imprensa, se não for algo que exija muito do meu tempo. Eu recebo convites quase que diários de Salvador, de rádios, mas nenhum projeto que mexesse comigo para me dedicar. Quando eu me dedico a algo, preciso estar muito certo daquilo. Eu paro a minha vida para dar o meu melhor.

        1 - O Bahia informou que ''a posição do clube, sem entrar no mérito sobre quem é mais ídolo que o outro, e adotando uma postura de ser igual com todos, não há fotos de nenhum ex-jogador no CT. Além disso, o clube homenageou Preto Casagrande duas vezes durante o período da quarentena, nas redes sociais.''

        *Nota do Vitória: ''O Esporte Clube Vitória é agradecido eternamente a Preto Casagrande por ter participado da conquista de dois títulos da Copa do Nordeste, assim como aos demais atletas que contribuíram para a construção da nossa hegemonia regional. Quanto ao fato de o ex-atleta não estar caricaturado no muro do Estádio Barradão, o motivo é que a escolha das personalidades teve como critério o homenageado ser torcedor rubro-negro.''

        2 - Por telefone, Alexi Portela disse desconhecer totalmente as alegações de Preto Casagrande, que não tinha o que responder sobre o assunto e afirmou que o Vitória cumpriu com todo o acordado e assim, não devia nenhum valor ao ex-jogador. Sobre possíveis homenagens, o presidente da Copa do Nordeste declarou que não há o planejamento para que isso ocorra com nenhum atleta.

        Brasil
        Preto Casagrande
        NomeCarlos Eduardo Casagrande
        Data de Nascimento1975-05-07(45 anos)
        Nacionalidade
        Brasil
        Brasil
        FunçãoTécnico

        Fotografias(2)

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